Você me estende a mão, me puxa e me leva pra longe das pessoas. Sua mão passa pela minha cintura enquanto meu braço se acomoda no redor do seu pescoço; os corpos vão se encaixando, centímetro por centímero. Logo os movimentos ritmados transformam nossos corpos em apenas um, a sintonia é completa. O rítmo pode variar, mas a sinergia entre nós permanece; vamos e voltamos juntos, para frente e para trás. Quando os corpos se desencontram é pelo mero prazer de sentir colar novamente.
As vezes trocamos algumas palavras, mas na maior parte do tempo ficamos no silêncio, ouvindo apenas a conversa muda e eloquente do meu corpo com o seu. As pessoas em volta desaparecem, restamos ali apenas nós, levados pela mesma batida, misturados em silêncio, suor e êxtase, sentindo a respiração descompassar.
Uma hora os rostos estão colados, os olhos cerrados, os sentidos inebriados, todos ocupados por você. Você me solta, me afasta, me vira. Giro o rosto e flagro você me olhando maliciosamente, como se pudesse ler cada um dos meus pensamentos. Não dá nem tempo de pensar no que fazer, logo você volta meu corpo de frente para o seu, me puxa de encontro a si e somos apenas um novamente.
Você conduz o rítmo dessa toada, eu apenas me solto em seus braços e me deixo levar. A sinergia aos poucos se transforma em sinestesia, sua voz quente, seu toque alto, seu cheiro doce tomam conta de mim. A respiração se alterna entre fluída e entrecortada, pelo prazer de ser tão sua e pelo esforço em acompanhar seus movimentos. Os olhos estão fechados, não preciso ver mais nada, suas mãos me conduzem pra onde eu preciso ir.
Depois de alguns minutos a realidade bate à nossa porta, é hora de voltarmos a ser dois, distintos, de olhos abertos e sentidos alertas. Seu cheiro vai seguir colado ao meu, ansiando pela próxima oportunidade em que você irá me tomar em seus braços e me levar para onde quiser. Mas, por hora, a música acabou, o salão está cheio e há outras damas disputando esse gentil cavalheiro!

Um comentário:
Que bacana!!! Dançar (a dois) é tão mágico como fazer amor. Dançar sozinho é uma masturbação...Ainda assim é bom!
Dançar e amar, sempre que possível!
Abraço!
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