sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Chove, chuva

Lá fora o dia está quente, esteve quente desde cedo. Aos poucos surgem nuvens no céu que vão variando seus tons de cinza até chegar ao plúmbeo. Chuva de verão, gordas gotas quentes que vem de cima, na tentativa de aplacar o calor.
Olhando pela janela me pego a pensar na última chuva que tomei. Juntos, sabemos rir da vida. Transformamos meia em gargalhadas, andamos pela rua desviando de poças enquanto a água nos caía por sobre os ombros, transformando as cores de nossas roupas e colando-as em nossos corpos. As gotas caíam, trocávamos olhares cúmplices, como se vivessemos aquele momento com toda a intensidade que cabia na gente. O cheiro do asfalto molhado, o som da água caindo, a pele ficando molhada, seu sorriso de covinha me chamando de criança de carpete. A água que pretendia esfriar, mas parecia só esquentar mais o clima entre nós. Talvez ninguém mais percebesse, na tentativa de se esquivar do que vinha do céu as pessoas tinham pressa, estavam concentradas em si mesmas e nas poças. Nenhuma palavra foi dita, mas os olhares e os sorrisos me contaram que, como eu, você curtiu aquela chuva. E que queria mais. Queria parar pra observar os reflexos nas poças, queria sentir o corpo todo molhado, a roupa colada e meu olhar em você. Eu queria parar o tempo, aproveitar aquele momento pra sentir o calor dos nossos corpos misturados à chuva fria. Queria chegar mais perto pra te olhar nos olhos e ler na sua alma o que o seu coração tentava dizer. Queria o conforto do seu abraço apertado, pra eu me sentir acolhida e protegida, ao mesmo tempo que desafiada. Queria sentir o seu perfume penetrando na minha roupa, pra que eu pudesse trazer seu cheiro comigo, pra embalar meus sonhos.
E como não lembrar daquela tarde fria de inverno, nós dois desviando de pessoas e guarda chuvas, cumprindo as obrigações mais triviais do dia, mas felizes por estarmos juntos? Nem o trânsito, nem a demora, nem o frio, nada tirou o brilho dos nossos olhos, a vontade de conversar, de contar, de dividir. E a chuva fria foi a desculpa que faltava pra nos apertarmos sob o mesmo pequeno guarda chuva, sua mão sobre os meus ombros ou delicadamente pousada na minha cintura, me guiando por entre as confusas ruas do centro da cidade.
Ou aquela primeira chuva, que veio em hora errada, tentou atrapalhar o dia de tanta gente, mas não conseguiu. As pessoas dançavam enquanto torciam a barra do vestido, nós estávamos molhados, imundos e cansados, na noite em que o abraço tinha a justificativa de espantar o frio das roupas molhadas.
Ainda chove lá fora e meu coração pula no peito, movido a lembranças. E vontades. Quem sabe um dia, nesse verão que vem aí, a gente não se molha de novo e deixa o coração nos tomar de vez?!?

Um comentário:

Anônimo disse...

chuva, chuva, chuva!!!! nunca deixe de cair.
beijinhos, lala
Nati