sábado, 20 de junho de 2009

Eye witness

Essa semana vi uma cena boba, mas que me emocionou de verdade. Pra poder fazer sentido, senta, que lá vem a história.
Se algum desavisado ainda não sabe, minha família é gigante. A irmã mais nova da minha mãe tem a idade mais próxima da sobrinha (eu, no caso) do que da irmã (minha mãe). O fato é que essa minha tia tem 2 amigas desde os tempos de ginásio que são as melhores amigas dela até hoje e, digamos que já se passaram uns 30 anos nesse meio. O que implica em dizer que essas amigas me conhecem desde a barriga da minha mãe, ou seja, tempo pra caramba.
Uma delas, a Eloísa, é madrinha do Enrique, o primeiro filho da Nal (a minha tia), da mesma forma que a Nal é madrinha do primeiro filho da Elô, o Guilherme.
Em 2001 ela engravidou de novo, de gêmeos! Tudo caminhava na mais absoluta normalidade, até que a bolsa estourou na 24ª semana de gestação. (pra qm não sabe, o bebê deveria nascer entre a 38ª e 40ª semana) Ela ficou internada, em repouso absoluto, mas pegou uma infecção e o quadro complicou, passava a apresentar risco de morte pra ela e para os bebês. Eles nasceram super prematuros, com 700 e poucos gramas cada um. Já batalharam pela vida mais do que mta gente que morre de velhice, passaram meeeeeeeeeeses na uti, quando foram pra casa o quarto deles era quase uma filial do hospital. Eu acompanhei de longe, mas sei o quanto foi duro pros pais, o quanto eles sofreram.
O tempo passou e essa semana os gêmeos completaram 7 anos! Pra minha alegria total, eu fui chamada pra fotografar a festa. Eles estão ótimos, são super carinhosos e arteiros como qualquer criança dessa idade, apesar das sequelas que restaram do nascimento prematuro.
Aí é que entra a cena que me emocionou. O Rodrigo quase não tem equilíbrio e força nas pernas, tem uma certa dificuldade pra andar. Qualquer suspiro mais forte perto dele é motivo pra uma queda, que não o abala nem um pouco. Ele se põe de joelhos e pede ajuda pra qm for, pra conseguir levantar.
Eu sempre defendi a idéia de que criança tem em si aquele bichinho da maldade que todo mundo guarda em si. Aquele bichinho que "manda" tirar sarro do amigo que usa óculos, do gordinho ou do nerd da vez. Aquele bichinho que "manda" fazer a maior cara de anjo do mundo depois de aprontar alguma coisa sabidamente indevida. Crianças nunca me pareceram exatamente seres solidários.
Mas certezas servem para ser quebradas. Quebrei a certeza e a cara. O Rodrigo queria brincar com todos os demais amiguinhos que estavam na festa, inclusive no futebol de areia. Não sei contar quantas vezes ele caiu enquanto eu estava olhando, foram muitas. Em todas as vezes, a mesma coisa. Ele se põe de joelhos e pede: "me ajuda, por favor?". To-das as crianças ajudaram, não vi uma sequer que passasse reto por ele. Pelo contrário, vi crianças correndo do outro lado do campo pra ajudá-lo.
É, talvez se as pessoas conservassem mais a criança que mora dentro de si o mundo fosse um lugar melhor, pra todo mundo...
Me emocionei de ver o Rodrigo e o Felipe grandes assim, aprontando todas e mais algumas, sem ligar à menor pras suas próprias dificuldades. Me emocionei de ver que as crianças podem ser muito melhores do que eu julgava (e olha que amo criança de qualquer jeito!).
Talvez eu poste outras fotos da festa, mas agora isso aqui já tá mto grande.
Beijos pra todos, com a boca melada, que nem criança!
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