sexta-feira, 6 de março de 2009

Parêntesis

À deriva


E disseram-me que a vida é curta.

Pois que o seja!

Abreviá-la num insante de loucura.

Isto é o viver.



Que me importa se vivemos ou morremos?

Nada fica. Nada é perene.

Mas continuo.

Percebo que tudo o que sou, fui

e serei é apenas vaidade.

Nada que valha a pena.

Nem mesmo quando direi:

"Eis me aqui!

Eu existo!"

o será por realidade.

Realidade?

Há muito que já nem sei o que

isto significa.


Pura inércia.

E prossigo em frente sem duvidar

que lá adiante, não muito longe,

eu estarei a concluir qe

nada somos além daquilo que deixamos

de ser a cada dia que passa.


(Norberto Kawakami)
(11944)

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